quinta-feira, 26 de junho de 2008

Julgar ou informar?



Estive lendo nas duas últimas semanas, tudo sobre o caso do assassinato da menina Isabella Nardoni. E a conclusão depois de tantas noticias sobre o caso foi a seguinte: qual o papel da imprensa na nossa sociedade, julgar ou informar?.
Recentemente ocorreu uma reunião, inclusive aqui no estado, onde tivemos algumas modificações no novo código de ética dos jornalistas. Entre elas o artigo nono onde se diz que a presunção da inocência é um dos fundamentos do jornalismo. Mas depois de ler nos jornais, percebi alguns jornalistas que praticamente julgaram o pai e a madrasta como culpados antes mesmo de a polícia concluir a perícia e do verdadeiro julgamento, feito por quem deve julgar.

O caso tem um claro apelo popular, um assassinato de uma criança indefesa, mas a imprensa tem feito um pré – julgamento, o que faz com que a população também faça esse julgamento precoce do casal. Alguns jornais inclusive estamparam títulos como: Ela (Ana Carolina) bateu, ele (Alexandre) jogou (Alexandre), manchetes como essas podem incitar a violência das pessoas que acompanham o caso.

Um caso parecido com este aconteceu ano passado, com Madeleine MacCann, uma menina inglesa que desapareceu. Os pais logo se tornaram os suspeitos. Os jornais imediatamente julgaram os pais como culpados. Alguns jornalistas tiveram a ousadia de escrever no jornal, que a atitude dos pais de não expressar muito sentimento, era suspeita. Esses jornalistas acabaram sendo processados por calúnia e difamação pelos pais da menina.

O papel do jornalista é contar os fatos ocorridos e não trabalhar julgando pessoas. Este é o trabalho da polícia e do magistrado, que são as pessoas habilitadas a este trabalho. Cabe a alguns jornalistas lerem mais um pouco o novo código de ética e bota-los em prática, afinal o maior bem de um jornal é sua credibilidade.
Violência na terceira idade
Casos de violência na terceira idade estão cada vez mais freqüentes na Grande Vitória



Segundo dados do IBGE o número de idosos hoje é de quase 15 milhões e até o ano de 2025 esse número pode dobrar, e junto a ele cresce também a preocupação com a qualidade de vida que eles levam. Segundo o Núcleo Contra a Violência ao Idoso (Nucavi), as denúncias estão cada vez mais freqüentes, e os casos acontecem normalmente dentro de suas próprias casas.

O Nucavi foi inaugurado no ano de 2005 e foi destinado a receber denúncias, averiguar, orientar e encaminhar aos órgãos competentes todos aqueles idosos que sofrem de maus tratos. O núcleo conta com a ajuda de psicólogos e assistentes sociais para buscar alternativas e conter essa violência.

De acordo com a Polícia Nacional de Redução da Mortalidade por Acidentes e Violência, existem diversos tipos de violência contra o idoso e elas são divididas das seguintes maneiras: Física, psicológica, negligência, abandono, financeira e sexual. Essas violências vão desde força física até exploração financeira do idoso.

A assistente Social do Nucavi Maria Angélica Buzato, conta que a maior parte dos idosos são mau tratados pelos familiares, que por pensarem que o idoso já não serve mais para nada, tentam se apropriar de suas finanças e os restringem de sua liberdade social.

Maria Angélica conta também que as denúncias nem sempre são realizadas pelos próprios idosos, mas sim, por vizinhos que escutam e se sentem no dever de denunciar. “Muitos desses idosos são ameaçados, por isso não contam, além disso quando a violência ocorre dentro de casa muitos idosos mesmo sofrendo maus tratos preferem proteger os filhos para que eles não sejam punidos pelos ato. As vezes os idosos passam fome, vivem no meio do lixo dentro de casa e se recusam a denunciar aí os vizinhos denunciam”, conta ela.

Após a denúncia o Núcleo Contra a Violência ao Idoso faz um relatório do caso e inicia um acompanhamento com a família. O acompanhamento é realizado em reuniões dentro do próprio Núcleo e nas casas dos idosos. Quando as reuniões são realizadas nas casas, os assistentes sociais fazem as visitas de surpresa e já flagraram diversos tipo de violência no local. Uma delas com o filho do idoso que se tornou alcoólatra e voltou a morar com os pais, e tentava tirar dinheiro deles para comprar mais bebida.

No ano passado foram realizadas 127 denúncias ao todo, já esse ano até o mês de maio já foram realizadas 60 denúncias, o que mostra que a violência está se tornando cada vez mais aparente. A maior parte das denúncias vem dos bairros Jardim Camburi, Centro e Santa Marta, e a faixa etária das vítimas é de 60 a 80 anos, normalmente do sexo feminino.

Ainda que haja denúncia o número de casos solucionados é baixo, dos 127 casos do ano de 2007, apenas 66 foram resolvidos, um poucos mais que 50% dos casos. A assistente social Maria Angélica explica que infelizmente a justiça do Brasil é muito lenta e muitas vezes os casos são deixados de lado.

A violência contra o idoso pode deixar muitas marcar, muitos deles passam a adoecer mais com facilidade, sentem desejo de morrer, choram, entram em depressão, sentem muita carência além de se sentirem humilhados e inúteis.

O Centro de Convivência da Terceira Idade de Jardim da Penha organizou uma grande manifestação nos dia 19, 20 e 21 deste mês contra a violência e maus tratos aos idosos e tem como objetivo não só alertar a população, mas também encorajar aqueles que estão sofrendo de maus tratos para denunciarem e mostrarem que mesmo chegando na terceira idade, ainda são seres humanos e precisam de respeito.

Denúncias através do telefone: 3347- 0076

terça-feira, 13 de maio de 2008

Só Faltava essa

No último domingo, jogaram Palmeiras e São Paulo, um dos maiores clássicos do futebol nacional, valendo a vaga para a grande decisão. O Palmeiras se classificou de forma merecida. Mas o clássico também ficou marcado, não pelos gols e sim por um misterioso gás no vestiário do estádio Palestra Itália.

O gás entrou pela ventilação do vestiário, onde se encontraria o time do São Paulo, o que acabou impedindo o time tricolor de voltar para o vestiário no intervalo. O técnico Muricy Ramalho preferiu permanecer com o time no gramado, já que o gás provocava uma irritação no sistema respiratório.

O São-Paulo acusa o adversário de ter sido o responsável pelo incidente e pensa em entrar com um processo contra o clube Palmeiras. Mais uma vez nosso futebol, aquele que é considerado o melhor do mundo é manchado por um fator fora de campo, lembrando que além do gás, esta partida ainda aconteceu um repentino apagão.

E mais uma vez, o futebol que deveria ser disputado apenas dentro de campo, ganha força em um tribunal, já foi assim em diversos casos. As pessoas devem sentir falta, de um passado não muito distante, em que os torcedores saiam de um clássico como esse e lembravam apenas dos gols, das bonitas jogadas feitas por ídolos das duas torcidas, e, diga-se de passagem, muitos craques já passaram por esses dois times, posso ficar o dia inteiro aqui citando nomes, mas vou lembrar de alguns apenas: Edmundo, Rivaldo, Raí, Muller. Enfim jogadores que passaram e deixaram o nome na história destes clubes.

O futebol realmente parece que mudou, mas parece que foi pra pior, cada vez mais dirigentes irresponsáveis nas direções de federações e clubes. Pessoas que pensam mais no bolso do que no bem estar do futebol. Não é aquele futebol em que os patrocínios dominam em que temos transações de jogadores milionários, mas sim daquele futebol romântico, bonito, com gols, belos lances e disputado apenas pelos que devem jogar o espetáculo.

Por isso quando me perguntam o que eu achei do futebol atual, eu nem penso duas vezes em responder: ‘’ Ai que saudade do tempo em que se jogavam o verdadeiro futebol brasileiro’’.



Daniel Sada Maia-Jornalismo 5ª2

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Em cartaz: Vida Real

De repente, parece que nossa vida virou um daqueles filmes onde enchentes tomam toda uma cidade e milhares de pessoas morrem, onde o frio é tão forte que é capaz de congelar um ser vivo em apenas alguns minutos. Mas o diferente deste filme é que também de repente, viramos todos vilões. Vilões de nossas próprias atitudes e egoísmos.

O aquecimento global está batendo em nossas portas, mas é engraçado como só se lembra dele quando o incômodo é pessoal. Acordar de manhã cedo e parecer que o calor já atingiu 40 graus, ou sair do banho e ver que está quase tão suado quanto entrou, ver a chuva virar enchente e o vento derrubar casas. Culpa da mãe natureza? Acho que não!

Somos sim os vilões de uma história que seria fictícia se não fossemos tão ignorantes ao ponto de deixar apenas a violência e a fome serem os focos principais de combate para uma nova e linda sociedade.

Pensando no assunto, me pergunto como vejo meus filhos em meu futuro, até me veio uma imagem engraçada na cabeça, ovos fritos. Acho que é mais ou menos o que vamos virar daqui a algumas décadas. Nesta crônica não tenho a intenção nem a vontade de citar os dados de desmatamentos ou nível de água subindo, para isso, temos mais de 50 cientistas que estariam honrados em passar para a mídia tudo o que causamos.

Minha pergunta aqui é, estamos mesmo com os dias contados ou só devemos nos adaptar para o inevitável?
Para nós de classe social média - alta, vamos nos preocupar para que, se os que realmente vão sofrer já sofrem deste ontem? O que? Você realmente achou que um daqueles que morrem de fome nas ruas seria o primeiro privilegiado a ser salvo do acontecimento mais importante do nosso filme? Não nesse aqui, que se chama “Vida real”.





Milena Castiglioni